sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dente podre nunca mais

Eu sou uma das poucas pessoas que conseguiram a proeza de repetir o c.a. Mas como disse antes não foi por burrice, porque eu nem sequer cheguei a fazer a prova, minha mãe me tirou de lá antes que isso acontecesse.
Como já era tarde demais para me matricular em qualquer outra escola, eu tive que esperar o resto do ano passar em casa, o que me causou uma alegria estrema. Todos os meninos e meninas do lugar onde eu moro ficaram com inveja de mim, pois entre eles eu era o único que ficava em casa. Embora eles achassem que era bom ficar em casa, eu, não achava tão bom assim. Eu tinha uma vizinha, e essa mulher tinha um marido, ela cansou de levar porrada dele e matou ele com um machado enquanto ele dormia, ela alegou legitima defesa e não foi presa, eu nem sei se era marido mesmo, mas ela tinha alguns filhos dele; eu acho. Ao todo eram seis uma filha casada que já tinha um filho, três adolescentes e duas crianças. Uma das crianças era uma menina, ela tinha a minha idade 6 anos, ela não estudava porque a escola publica só aceitava crianças com 7 anos para cima. Naquela época se você tinha dinheiro botava seus filhos em uma escolinha particular, se não tivesse deixava as crianças na rua brincando na lama pegando vermes de cachorro e criando perebas. E aqui ainda tinha uma vala horrível e nela passava uns ratos enormes, que pareciam ter saído do inferno, pois estavam manchados de sangue, creio eu que por causa das menstruações das mulheres do local. Eu mesmo já presenciei muitas crianças esquecidas pelo governo, cairem dentro dessa vala imunda e saírem todas sujas e cuspindo água de bosta.
Essa menina filha dessa mulher que matou o marido, pai dos filhos o sei lá o que, via muita novela das oito e via os artistas se casando e por isso queria muito se casar, e como eu era o único que ficava em casa acabou sobrando pra mim. Ela tinha um probleminha nos dentes, eles eram quase todos podres devido ao uso de antibiótico. Em um dia muito infeliz, esse ser desprovido de beleza ortodôntica resolveu me pregar uma peça, me empurrou para dentro de um banheiro esterno que nos temos aqui em casa, trancou a porta e dizendo vamos casar, vamos casar, me tascou um beijo na boca e quase engoliu minha cabeça. Eu não conseguia escapar então tranquei os dentes. Em um momento salvador minha irmã veio abriu a porta e jogou um balde de água suja, que ela tinha acabado de usar para passar pano no chão, por um momento conseguiu separar a briga dos cachorros. Enquanto eu pegava ar ela me puxou pelo braço passou pela minha irmã e me arrastou para outro banheiro, o de dentro de casa, Minha irmã correu e conseguiu me salvar, mas ate hoje eu tenho uma lembrança horrorosa desse dia infeliz, que provavelmente vou levar paro resto da minha vida. Não é todo dia que uma louca dos dentes podres arrasta a gente para um banheiro e tenta engolir a nossa cabeça.

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